Drogas: indicações de referências para ampliar o debate

Fernanda G. Sato

Drogas. Tema recorrente nos serviços da assistência social, saúde e educação em várias localidades do Brasil. Termo genérico que pouco especifica, e que normalmente vem acompanhado de susto, medo: parece trazer gravidade em si. O peso que a palavra contém muitas vezes trava o diálogo e angustia os profissionais. 

Nos serviços por onde circulamos, a “questão das drogas” aparece com frequência na fala de profissionais como desafio e pedido de ajuda: como tratar o adolescente que usa drogas? Como lidar? O que fazer? Internar? Encaminhar? Frente aos debates atuais sobre Internação compulsória, as operações policias na cracolândia e em relação às politicas sobre drogas no Brasil, surgem muitas preocupações e incertezas. Como se situar nesse debate? Como se posicionar frente aos casos que chegam nos serviços?

Selecionamos alguns autores e profissionais que se propõe a pensar sobre estas e outras questões para apresentar e fomentar o debate!

  •     Livro editado pelo CRP em 2012 Em debate: Alcool e outras drogas. Para download clique aqui

Indicamos os seguintes filmes:

  • Cortina de fumaça (2010)  documentário que discute a política de drogas no Brasil e no mundo colocando em questão o proibicionismo. Dirigido pelo jornalista Rodrigo Mac Niven
  • Quebrando o tabú (2011)  filme brasileiro sobre a temática do combate às drogas. Dirigido por Fernando Grostein Andrade

Para saber mais sobre trabalhos com Redução de danos:

Destacamos aqui artigos e textos de psicanalistas sobre o assunto:

Aqui há apenas uma seleção de textos e filmes. Não tivemos como objetivo esgotar todo o material sobre o assunto, mas apresentar algumas referências que possam ajudar a pensar e situar alguns debates atuais. Esperamos que as indicações possam contribuir para quem deseja conhecer mais sobre o assunto.

Quem conhecer outros textos, filmes ou sites interessantes  sobre o assunto, por favor poste as referências nos comentários!

Rede? Que trabalho é esse?

Ingrith Andrade*

Quando iniciamos num trabalho de atendimento a famílias consideradas em situação de risco é comum escutar que, para o trabalho acontecer, é importante “trabalhar em rede”. Sem dúvida todos os profissionais que iniciam num trabalho na área social já ouviram essa frase. Mas o que seria uma REDE de atendimento?

Me lembro de quando iniciei meu trabalho num CRECA (Centro de Referencia da Criança e do Adolescente) e fui apresentada a um universo de siglas: CRECA, SMADS, CT, VIJ, VEIJ, UAI, UIP, CRAS, CREAS, UBS…e muitos outros nomes de serviços.

Passada a fase inicial, além de me apropriar do significado de cada uma, fui aos poucos, quase que tateando, a respeito do trabalho desses serviços. Pois, para além dessas siglas, na verdade, a rede é composta de diversos serviços e equipamentos que estão relacionados entre si, por conta de oferecerem atendimento a população. No caso, serviços de atendimento a garotos em situação de risco e suas famílias.

A questão que fica é o quanto este universo de siglas e o seu significado também fazem sentido ao público que por ele é atendido.

Quando pensamos num caso, por exemplo, numa família, a rede que temos de visualizar, são de todos os serviços que estejam relacionados ao atendimento e cuidado dela, direta ou indiretamente, sejam eles serviços de saúde ou sociais, podendo ser composta desde instâncias como a Vara da Infância e Juventude (VIJ), Conselho Tutelar (CT), o agente de saúde do PSF (Programa de Saúde da Família), como também pela escola, ou até mesmo um vizinho que se compromete a cuidar dos filhos menores enquanto a mãe sai para trabalhar. E, ao pensar num plano de trabalho para essa família, cabe também apresentar a estes a função de cada serviço, e o quanto podem se beneficiar dele.

Quando falamos sobre a importância de trabalhar em rede, na verdade estamos falando da construção de um trabalho intersetorial e em parceria. Ou seja, como nos diz Benghozi (1), o modelo fundador rede não é estabelecido a partir de uma entidade ou estrutura organizadora. São as condições de exigência que criam a necessidade de se funcionar em rede, a gestão de suas dificuldades leva os protagonistas preocupados a encontrarem-se e a estruturar um vínculo rede em torno de si.

Segundo Gonçalves e Guará (2): “Construir redes significa apostar em relações humanas articuladas entre pessoas e grupos que, no debate das diferenças, possam ajustar intenções mais coletivas e produtivas para todos.”

Porém, este é um trabalho complexo e de articulação, pois a rede é formada de pessoas e, para além das especificidades de cada profissional envolvido há também as especificidades de cada serviço, somado as limitações e desafios que perpassam o trabalho como um todo.

Assim,  uma rede é muito mais do que um conjunto de profissionais ou de serviços trabalhando em um mesmo caso. A rede é um canal por onde fluem expectativas, culturas, valores, temores, e não apenas a comunicação racional de informações e projetos comuns.

Trabalhar em rede implica, portanto, se deparar com essas expectativas, valores, nossos e dos outros, e fazer desse contato, nem sempre harmonioso, algo que produza trabalho, transformação. Nesse sentido, uma rede nunca está construída, está sempre por se fazer.

(1) Benghozi, Pierre. O vínculo de rede. In: Malhagem, filiação e afiliação. Vetor editora. 2010

(2) Gonçalves, Antonio Sérgio; Guará, Isa Maria F. Rosa. Redes de proteção social na comunidade. In:Redes de proteção social. Abrigos em movimento. 2010. O texto pode ser baixado aqui.

Para saber mais:

A rede de proteção a crianças e adolescentes, a medida protetora de abrigo e o direito à convivência familiar e comunitária: a experiência em nove municípios brasileiros

* Ingrith Andrade é psicóloga, especialista em psicologia clínica. Trabalha no CAPS AD IJ do Projeto Quixote.

A historicização e a história: indicações bibliográficas

 Carina Ferreira Guedes

Diante dos imediatismos e cronicidades presentes no trabalho com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, a construção de uma historicização possível passa também pelo conhecimento histórico dessa temática. Assim é possível criar um distanciamento, atentar para o processo de construção de fenômenos que muitas vezes nos parecem ‘naturais’.

Selecionamos abaixo alguns autores que se dedicaram a pesquisar e escrever sobre a articulação da história com a infância (em especial a considerada em risco).

Não temos como objetivo apontar todos os livros existentes (são muitos!), mas indicar alguns autores e livros referências para quem deseja conhecer um pouco sobre os caminhos que levaram à infância que temos hoje e suas respectivas políticas públicas.

Um passo importante nesse trabalho de historicização é pensar como a infância adquiriu o status que tem hoje. Philipe Ariès e Jacques Donzelot apresentam, cada um a partir de seus referenciais, o processo de mudança do lugar da infância na sociedade.

  • Ariès, Philippe. História Social da criança e da família. 2ª edição. Original publicado em 1973. Tradução de Dora Flaksman. Rio de Janeiro, LTC editora, 1981.
  • Donzelot, Jacques. A Polícia das famílias. Traduzido por M. T. da Costa Albuquerque. Original publicado em 1977. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1980.

O pdf do livro pode ser baixado gratuitamente aqui.

Como ambos autores tratam da história européia, torna-se importante mencionar aqui autores que se debruçaram nossa nossa infância brasileira, bem como ao histórico das políticas públicas à infância considerada em situação de risco.

Destacamos aqui algumas obras de autores referência para o nosso trabalho!

  • Del Priore, Mary (orgs.). História das crianças no Brasil. São Paulo: contexto, 2000.
  • Marcílio, Maria Luiza. História Social da Criança Abandonada. São Paulo: Hucitec, 1998.
  • Rizzini, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. São Paulo: Cortez, 2008.
  • Rizzini, Irene & Pilotti, Francisco (orgs). A arte de governar crianças – a história das políticas sociais, da legislação e da assistência à infância no Brasil. São Paulo: Cortez editora, 2008.
  • Rizzini, Irene & Rizzini, Irma. A institucionalização de crianças no Brasil: percurso histórico e desafios do presente. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2004.
  • RIZZINI, Irma. Assistência à infância no Brasil: uma análise de sua construção. Rio de Janeiro: EDUSU-CESPI/USU,1993.
  • VENÂNCIO, R. P. Famílias abandonadas. Assistência à criança de camadas populares no Rio de Janeiro e em Salvador. Séculos XVIII e XIX. Campinas: Papirus, 1999

Aqui há apenas uma seleção de textos! Não tivemos como objetivo esgotar todas as bibliografia sobre esse assunto! Mas esperamos que essas indicações possam servir de guia aos que desejam estudar sobre o assunto.

E quem tiver algum outro texto interessante que tenha lido sobre o assunto, por favor poste as referências nos comentários!